Comunicar é fácil...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

 ... e quem quer que o tenha afirmado estava doidinho, sem meias palavras. Passar a informação ao próximo sem haver deturpações da mensagem ou distracções do verdadeiro conteúdo pode ser algo bastante manhoso e traiçoeiro.
 No interesse do part-time que arranjei para este ano, presenciei uma formação muito interessante e cuja temática se baseava nas boas relações com o cliente, espectador, etc. Para começar, gostava apenas de vos aconselhar a assistirem a uma formação deste género se algum dia tiverem oportunidade, pois, apesar de não aprenderem nada de novo se forem pessoas bem educadas e cheias de bom senso, é sempre bom relembrar pequenos aspectos que, muitas vezes, nos passam despercebidos e podem fazer toda a diferença na forma como os outros nos encaram e se abrem para nos deixar chegar a eles.
 Indo, então, de encontro ao tema que aqui me traz, tenho de vos explicar o pequeno exercício que nos foi proposto durante estas 4 horas de aprendizagem e conversa. Ora, foi-nos pedido pela formadora que desenhássemos certas figuras, que ela ia ditando, numa folha em branco. No final, era suposto termos um boneco - muito jeitosito e certamente atraente - como vos mostro na fotografia. Porém, eu desenhei algo absolutamente diferente e bem mais complexo, assim como muitos outros dos meus colegas presentes, o que gerou muitas gargalhadas e um momento de descontracção e união nas nossas diferenças.
Desenho pela minha Mummy
 Foi quando cheguei a casa que uma reflexão mais profunda me assaltou. Depois de um olhar mais atento ao meu desenho, comecei a questionar a forma complicada como oiço e interpreto as coisas que me dizem. Quando a formadora nos pediu que desenhássemos duas circunferências, um quadrado e um triângulo na circunferência anteriormente desenhada no topo, eu nem pensei em mais nada senão fazer essa brincadeira com as figuras geométricas, estando realmente confusa com a finalidade do desenho.
Meu desenho
 Já pararam para pensar como o outro lê e percebe o que lhe dizem? Às vezes, um comentário que parece muito simples aos nossos olhos e na nossa boca pode tomar dimensões gigantescas na mente do ouvinte. Por exemplo, a simples observação «Fizeste um trabalho excelente, não estava nada à espera disto!» pode ter sido dita no sentido em que não contávamos ler ou ver tal coisa naquele momento, porém, pode ser entendido pelo outro como uma surpresa pelo talento que nos apresenta quando, na verdade, já sabíamos da existência de tal talento e não esperávamos outra coisa da pessoa. Já viram como pode dar azo a muita discrepância?
 Todos temos diferentes formas de processar e lidar com a informação que nos chega e nos é comunicada e está tudo ok nisso. É apenas preciso ter atenção à forma como, por vezes, somos arrogantes(!) ao ponto de achar que o outro percebeu exactamente o que queríamos dizer e que é impossível terem sido as nossas palavras a ferir-lhe a susceptibilidade. É mesmo bonito reconhecer que as pessoas são todas diferentes e que esta pluralidade é que gera o mundo, a criatividade, as ideias que pairam no ar ansiosas por bater à porta de alguém.
 Eu sou extremamente complexa nos meus pensamentos, bati com a cabeça na parede e acordei para este meu detalhe no dia 28 do passado mês, a seguir à formação, e desde aí que tenho tentado desvalorizar a teia cheia de nós que faço com as possíveis interpretações de uma afirmação tão básica quanto «A sério, está mesmo tudo bem!». Assim, também é importante reconhecermos que a mudança, se queremos que ela ocorra, ou achamos que vale a pena implementá-la, parte de nós de igual forma.
 Não quero com isto dizer para descomplicarem tudo, para deixarem de pensar que pode haver um duplo ou até um triplo significado nas palavras que vos dirigem, pois, há sempre uma chance dessa ser a situação, porém e por vezes, a primeira interpretação que fazemos de algo que nos dizem, a imediata pode mesmo ser a correcta, pode mesmo ser aquela que nos queriam transmitir.

 Com isto, imirjam em longos debates, em profundas conversas, em bonitos olhares que ditam mais que mil palavras, em abertos sorrisos, em simples gestos, interpretem sempre que puderem, não o façam por vezes, atentem apenas à complexidade e plenitude do interior e intelectual do próximo, isso é mesmo importante.

25 comentários:

  1. Como estudante de comunicação aprendi muito sobre o assunto no meu primeiro ano da universidade. Continuo a achar fascinante a pluralidade de interpretações que se gera por uma única mensagem e concordo que devemos direccionar o nosso discurso para cada público. Nem todas as pessoas apreendem as coisas da mesma forma e isso gera, como disseste muito bem, uma multiplicidade no sentido que damos às coisas e no modo como as aplicamos na nossa vida. (:

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  2. Nas minhas aulas de Psicologia lembro-me de abordar este tema... porque aquilo que dizemos (emissor) pode chegar de uma forma inesperada ao receptor. Pode interpretar mal ou da forma menos correcta... lembro-me de um esquema em cartoon que nos foi apresentado na altura, mas não o consigo encontrar agora para te mostrar!
    R.: Amanhã sairá então o primeiro post oficial da rubrica :)
    Um beijinho*

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  3. Realmente as vezes certas coisas coisas ditas podem ter um milhão de interpretações na cabeça de cada um de nós. As vezes até o nosso humor, ou estado de espírito interfere naquilo que ouvimos.

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  4. Tal como já tinha comentado contigo, acho muito interessante a forma diferente como abordaste o tema da comunicação :). É mesmo impressionante a forma como nós comunicamos, recebemos e interpretamos as mensagens dos outros de forma completamente diferente. Este tipo de formações são muito importante para quem trabalha com pessoas, mas também para todos nós. Quantas vezes existem mal entendidos porque as pessoas simplesmente não compreendem o que a outra pessoa queria transmitir.
    Cada vez mais me interesso sobre este tema. Desde que comecei a estagiar, sinto que falar sobre comunicação e aprender mais sobre a melhor forma de comunicar é essencial, em todos os aspetos da nossa vida.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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  5. É uma grande verdade. Eu noto que a mesma frase que digo a diferentes pacientes é interpretada de formas tão diferentes. Alguns acham que é agressividade/arrogância outros percebem a preocupação genuína que tenho com eles. Às vezes ficava chateada quanto me respondem a uma mensagem e a terminam assim: "..." ou sem smile, até um dia ter chegado à conclusão que isso era absolutamente ridículo, que nem sempre tem um mau significado
    Por onde anda a Sofia?

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  6. Quanta verdade no que dizes Joaninha. A comunicação não é sempre fácil, por causa de todas essas divergências que abordas, afinal somos todos um mundo diferente, por vezes torna-se complicado perceber na íntegra o que nos querem dizer ou o que nós dizemos. Cabe-nos a nós descomplicar um bocadinho, por vezes, não tentando interpretar de uma e outra forma - o que nem sempre é fácil.
    É tão curiosa a forma como tu abordas todos os temas, é óptimo "interpretar" as tuas palavras.
    A comunicação é tão importante na nossa vida :)

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  7. A comunicação em si até pode ser fácil, a nossa interpretação é que a torna complexa.
    Honestamente, acho que o ser humano tem um certo gosto em complicar, por isso acaba por ver segundas intenções em tudo. Por um lado, sinto que é bom procurarmos ver além do que nos dizem, mas, por outro, nessa procura desenfreada por fugir ao linear, perdemos coisas tão simples, que podem ser igualmente fascinantes
    Adorei a publicação!

    r: Muito, muito obrigada, de coração *.* é mesmo bom ler isso

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  8. ai o que eu me ri com esse boneco! é mesmo incrível as diferenças que uma mensagem pode sofrer apenas no percurso entre a nossa boca e os ouvidos do outro... falamos muitas vezes disto nas aulas de comportamento e relação visto que a comunicação é algo essencial para o nosso curso. a formação pareceu interessante, gostava de assistir a algo do género.
    beijinhos https://ratsonthemoon.blogspot.pt/

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  9. R: Joaninha, cada vez mais sinto que estou rodeada pelas pessoas certas. De certo modo, também és prova disso. Os teus comentários, especialmente em relação ao meu último post, são super carinhosos e fico mesmo grata pela preocupação e pelas palavras de apoio. Obrigada 💛

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  10. R.: Às vezes também sinto um pouco isso, mas foi um «acto de doidice», neste caso, porque não costumo fazer compras de sapatos deste género. Experimentei por graça e... afinal até gostei bastante de ver e comprei-os. Devo dizer que me sinto diferente, mas ao mesmo tempo mais menina :)

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  11. Vim pelo cheirinho, só por isso,
    mas acabei me apaixonando pelo
    prato e pela dona da pensão...

    Joaninha, estou seguindo seu blog
    enlouquecidamente.
    Siga o meu se vc gostar, sim?

    Beijos,

    silvioafonso



    .

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  12. As palavras são das armas mais perigosas que existem. Temos de ter muito cuidado de como as usamos!
    Beijinho, Ana Rita*
    BLOG: https://hannamargherita.blogspot.com/ || INSTAGRAM: @rititipi || FACEBOOK: https://www.facebook.com/margheritablog/

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  13. Eu sou prova viva de que comunicação pode ser complicada. Eu adoro comunicação mas nem sempre as pessoas entendem o que quero dizer ou eu a elas e depois leva aos erros. Cada pessoa tem a sua interpretação daquilo que se diz e isso é o que nos faz tão únicos.

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  14. eu sei bem o quão a comunicação pode ser complicada, e o qual mal podem ser interpretadas palavras tão simples...mas nunca tinha parado para pensar da maneira como expuseste o tema! acho que ainda há tanto a aprender sobre comunicação...
    p.s adorei o desenho Joaninha! ahah
    beijinho :)

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  15. Oh, Joaninha, como é bom perceber que existem formações que suscitam este tipo de reflexão. É por isso que é bom termos uma mente mais complexa, no sentido em que tentamos correlacionar vivências com aprendizagens. Nem todos o fazem. E por isso, acredito que não seja assim tão interessante descomplicar. Complicar leva-nos a criar ligações entre conceitos e acontecimentos que nos conduzem, por exemplo, a um texto como este, que parte de algo tão simples!
    Chamo a isto desfragmentar para depois reunir. É, no fundo, um complicar para depois descomplicar. Percebes ou fui muito complicada? Ahah!
    Bem-vinda ao meu mundo, do qual sei que fazes parte, não fosses uma das pessoas que eu sei que lê efectivamente o que escrevo nos meus segmentos de reflexões.
    Um muito obrigado por isso!

    ❥ Biju da Ju,
    juvibes.blogspot.pt

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  16. Que texto lindo, como sempre, Joaninha!
    Tive uma cadeira sobre este tema este semestre, em relação à comunicação intercultural :)
    Beijinhos xx

    www.catmorais.com

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  17. r: Era algo que fazia inconscientemente, até que comecei a perceber que mudava sempre as frases quando as iniciava com alguma daquelas palavras ahahah
    Oh, obrigada *.*

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  18. Falamos bastante disso numa disciplina do meu curso. Realmente, ao transmitir uma mensagem não podemos ter só em conta a mensagem transmitida pelo transmissor, mas também a maneira como o receptor a interpreta e como podem ser totalmente distintas!

    https://sunflowers-in-the-wind.blogspot.pt/

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  19. r: Obrigada Joaninha! É mesmo importante para mim saber que as pessoas estão a gostar!

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  20. Btw, não me recordo de ter a tua participação! Queres participar?

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  21. A comunicação é tudo menos fácil!! Partilho da tua opinião!

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  22. Verdade, a comunicação é algo muito complexo e podem-se gerar muitas trapalhadas e mal-entendidos quando não transmitimos exactamente o que queremos.:p

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  23. R.: Hum... e não é que adivinhaste? :) É mesmo! E eu que penso agora naquilo que perdi estes anos todos. Não compreendia os/as Potter Head até esta semana :P
    Um mega beijinho*

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