Sei que é um assunto recorrente neste meu cantinho, porém, espero que compreendam que o mar tem um significado transcendente para mim. O sossego e o desassossego, a plenitude e a turbilhão, o azul e o cinzento, o infinito e o sentir da onda...
Ver as ondas a ir e a "voltar", a inconstância constante delas, será que vai chegar aqui?, será que me vai tocar na ponta do dedo?, será que vou ficar toda molhada?.
A água fria que me congela os miolos quando faço pinos no mar, a areia que se arrasta com o abandonar de uma onda da praia, as algas que se enrolam nos nossos pés, que se entranham nos nossos cabelos, o engasgar com água salgada, o flutuar sem limite de tempo e ser levada pela ondulação, as gaivotas e a companhia sonora que fazem, as conchas e os búzios que coleccionamos.
Tudo no mar é divinal, literalmente divino.
Acompanhava o meu avô nos seus passeios diários à beira mar enquanto me relatava as suas aventuras, cada um com os seus sapatos ao ombro, calças arregaçadas, ou mesmo de calções, garrafinha de água na mão. Parávamos e ficávamos simplesmente a olhar o mar entre palavras e memórias. Essa vai ser sempre a imagem que guardarei do meu avô. Ele, eu e o imenso oceano. E o sorriso que aconchegava as nossas bochechas. Ninguém melhor que ele para compreender o meu amor ao mar.
Ir ver o mar é algo que gosto de fazer. Pegar nas coisas, sair porta fora e ir ver o mar. Isso faz o meu dia. Se só o fizer uma vez no mês, sinto de qualquer das formas que o meu mês foi completo.
Em jeito de celebração do 83º aniversário do meu avô, que já não se lembra do mar, vou vê-lo por ele. Daqui a dois dias, vou estar naquela praia, no nosso sítio, a sorrir e a agradecer a infância que me proporcionou. Obrigada avô!
Quem sabe não vou até durante a semana ver outra vez o mar?



