Durante um cafézito com os meus amigos houve um momento em que apenas eu e a minha maior amiga estávamos sentadas à mesa e, como sempre, começámos a falar de tudo e de nada. Foi então que descobri que quase todos os tios do lado paterno dela morreram devido a um vício e às consequências que este acarreta!
E refiro-me ao álcool. Álcool em excesso, álcool às escondidas, álcool a toda a hora, álcool mesmo quando o médico diz «chega».
Assim, falava, obviamente, do cancro de fígado. Esse que, como outros, traz uma dor imensa para a pessoa e para os que o rodeiam.
Pois é aqui que me questiono como é possível as pessoas deixarem-se chegar a esse ponto. É triste mesmo que a dependência seja tão grande que quando alguém aconselha a parar, simplesmente não se consegue.
Questiono-me o que vêem estas pessoas na bebida, e noutras coisas semelhantes, que as faz depender daquilo para serem felizes. É como se conhecendo o mundo para que são levadas sob o efeito, não quisessem outra coisa. Será assim tão bom viver num mundo paralelo onde nada é real? Onde até os sentimentos são uma farsa? (Entenda-se que uma coisa é tomar uma cerveja numa saída à noite e aproveitá-la à beira dos amigos, outra é beber garrafas incontáveis por dia...)
Preocupa-me isto, pois um dos hábitos dos tios dela era uma atitude muito portuguesa e perigosa: chegar a casa e ir para o café beber até se perder noção das horas!
É uma situação tão delicada e provoca tanto sofrimento... Principalmente, porque era uma situação completamente evitável!
Tenho receio destas coisas...