Ultimamente...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

 Esta é sem dúvida a expressão que a minha mãe mais gosta de usar. «Ultimamente» para aqui, «ultimamente» para ali, «ultimamente» para acolá, ... mas nem é disso que quero falar.
 Nestes últimos tempos apercebi-me que passei tempo demais a ligar ao que os outros possam pensar das atitudes que tenho e das aventuras que vivo. Compreendam que é complicado não ligar quando fomos sempre bastante gozadas e deixadas de parte sem perceber o porquê... Quero dizer, sempre tive boas notas, consideram-me uma rapariga simpática e com um bom discurso, não sou feia. Contudo, conseguiam fazer sentir-me mal em grande parte das situações e deixavam-me de parte quando sabiam que me agradava a actividade em questão; acusavam-me de pedir as notas só porque a minha mãe fazia parte da direcção (acreditem ou não, não é nada fácil frequentar uma escola cujo quadro inclui um pai). Sinto que nunca me deram o valor que talvez merecesse, e quando fugi a um grupo maldoso, fui parar a outro onde não só gozavam comigo, como faziam as minhas amigas sentirem-se mal com elas mesmas. Nesta fase criei de facto amizades que vão durar, mas agradeço muito que o décimo primeiro me tenha trazido uma liberdade que não tivera até então. Finalmente numa turma que não liga à opinião alheia e que se manteve unida e rapidamente me fez sentir da família. Com eles aprendi que a única coisa que interessa é estarmos bem connosco, se assim não fôr, mudamos o que está mal, nem que seja aos bocadinhos. Mas apelo-vos que não deixem os outros impedir-vos de realizar as vossas maluqueiras, fantasias, sonhos e vontades...
Tento dia-a-dia melhorar esse aspecto da minha fragilidade, e cada vez me sinto mais eu, tanto naquilo que mostro como naquilo que penso. Os outros não têm de saber como penso ou o que penso.
 Àqueles que não me querem mal digo apenas «Bom dia!» porque ao contrário deles eu não tenho maldade no meu coração, ou pelo menos não em quantidade muito significativa.

 Agora vou sentar-me um pouco em frente à televisão enquanto espero a fofa da minha mãe. Tenho mesmo que lhe contar que o teste de inglês me correu super bem e dizer-lhe mais uma vez que a matéria de matemática me está a passar ao lado, ups!

Algo ou não!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

 Visto que a vontade de estudar foi reduzida a zero assim que peguei nos livros, decidi vir buscar um pouquinho de inspiração para conseguir proceder com os estudos!
 Hoje é Halloween. Adoro este dia do ano e acho mesmo engraçado o conceito! A minha amiga vai dar uma festa na casa dela e ainda bem que me convidou (não o perderia por nada). Adoro estas festinhas assim: vai o meu grupo de amigos todo e alguns, incluindo eu, ficam lá a dormir; cada um leva uma coisa para o jantar e assim "dividimos as despesas" (o que não é bem verdade, porque de certo ninguém gastou tanto dinheiro como a minha mãe para comprar os ingredientes para a sobremesa: claro que eu fiquei encarregue da sobremesa)! Além disto, se o tempo nos permitir ainda damos um mergulhito na piscina, ueue, à noite!
 Vou levar um anel com uma mão de esqueleto, uns brincos e um colar com a forma de teias de aranha, uma capinha de bruxa e provavelmente umas coisas engraçadas na cara só a fazer efeito que são fáceis de remover se quiser ir à piscina.
 Nestas situações sinto-me sempre obrigada a chegar mais cedo ou a horas: primeiro, porque fico muito nervosa se não chego na hora pedida ou estipulada; e, segundo, porque me sinto na obrigação de ajudar os afitriões que normalmente ficam muito nervosos nestas situações.
 Por isso estou ansiosa pelas 20:10; a anfitriã vem buscar-me e eu vou ajudá-la! Daqui a uma hora e quinze minutos tiro o cheesecake para começar a perder o gelo!
 Ai esta noite é que vai ser comer... mas tento nem pensar nisso. Há outras coisas mais interessantes que vão acontecer, tipo: vou assistir ao meu primeiro filme de TERROR! O que vale é que vou estar rodeada de bons amigos; no final de tudo, isso é muitas vezes o que mais importa!

Mas o quê?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

 «Escreve» disse ela. Sobre o quê? «Escreve apenas, o mais bizarro ou o mais sentido.» Vou escrever.
 Quando era mais nova encontrava nas palavras um certo conforto que já não tenho faz muito tempo. Era a minha forma de me afirmar e ao mesmo tempo de me esconder. Anonimamente ninguém sabia quem eu era, porém eu tomava uma posição e deixava o meu ponto de vista bem claro. Quero voltar a fazê-lo, quero ser ouvida... fiquei na sombra dos outros durante muito tempo e agora, finalmente, percebi que eu sou suficiente, eu sou o bastante, não tenho de constantemente mudar quem sou em prol de com quem estou. Vou começar a escrever outra vez, visto que não só me faz bem, como também me deixa bem disposta!
 Depois da nossa conversa e de dormir uma das primeiras noites completamente seguidas, sinto que tenho outra prespectiva. Quero uma vida melhor, isso arranja-se grão-a-grão. Muitooo devagarinho! Mas eu consigo, não desisto facilmente.

Os pequenos gestos!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

 *Estas coisas:* Toca para sair e a minha secretária é assaltada por duas sombras, desvio o olhar e foco-me nas duas silhuetas que estão postradas diante de mim. Dou-lhes o meu melhor sorriso e espetam-me com um saco de pastelaria na cara. Sabiam que, por começar a natação sexta, não iria conseguir estar presente no almoço no vegetariano, que por sinal tinha sido sugerido por mim. Ficaram tão tristes por eu não ir que quiseram compensar-me, coisa que não tinham que fazer, já não é a primeira vez que falho a um compromisso de grupo, sinto-me mal por isso, muito, e como sabem disso trouxeram-me o meu doce favorito, aliás, trouxeram-me três deste: broas-de-mel. Foi um gesto tão grandioso. Encheram-me os olhos de lágrimas. Pouca gente me tem dado o à vontade para falar nisto, e elas têm sido simplesmente fantásticas! Quando me viram a comer melhor disseram mesmo que estavam Orgulhosas! Infelizmente, pouca gente pode dizer que tem amigas assim, que se preocupam genuinamente e procuram não dizer as coisas erradas. Se sinto falta da mary? Sinto, ela também é assim, fofinha e um apoio incondicional, mas ao menos quando não estou com ela já não me sinto sozinha. Já posso respirar! Tenho amigos que me querem ver bem. Pela primeira vez não sinto aquele sufoco das pessoas que me queriam mal e me punham abaixo. Quando rodeada de pessoas assim, todas as energias que entram na minha alma são positivas.
 Respirar é bom, e estes pequenos gestos... Ai, estes pequenos gestos fazem-me o dia!