(Co vid)a dentro de casa!

terça-feira, 17 de março de 2020

A cidade cheira a pânico. As ruas olham-nos com saudades e carência. Impotência é o que sentimos estar a respirar. Uma vontade enorme de ser normal paira no ar, contrariando a constante necessidade de nos querermos diferenciar. Abraços ficam em débito, beijos profundos e demorados ficam pela intenção, "passou-bens" transformam-se em céleres saudações. Em crescendo, acumula-se a vontade de toque, de proximidade, de mimo e carinho.
A cidade cheira a pânico. Contudo, acredito piamente que este cheiro será facilmente removido com o desinfetante etiquetado como quarentena. Nunca assisti a uma medida de isolamento coletiva cujo foco principal de ação e atenção fosse a possibilidade futura de todos voltarmos a abraçar, a beijar, a mimar, a cumprimentar, a festejar.
Videochamadas substituem conversas a fio em esplanadas, substituem o cantar de parabéns ao avô que completa 84 anos. Videochamadas ocupam o lugar do pôr a conversa em dia com a melhor amiga no sofá de minha casa, dos jantares com o melhor amigo que têm sido quase diários.
A cidade cheira a pânico, mas, de repente, as casas criam vida, as famílias voltam a passar tempo juntas, geram-se novos costumes à porta fechada. De repente, as irmãs fazem exercício juntas, o gémeo aprende a tocar tuba, a miúda de Erasmus faz novos amigos, a filha única dedica-se aos cães e ao sol. De repente, a mãe volta a cozinhar todos os dias, com coração e alma, o pai continua a trabalhar, mas não vai viajar, os tios estão lá sempre para falar.
A cidade cheira a pânico, oh, se cheira, oh, como sinto. Porém, a minha casa não cheira. Talvez um pouco a desinfetante. Mas, acima de tudo, cheira a amor, a amizade e a carinho que eu transbordo do meu coração pelos meus, a minha irmã transborda do dela pelos dela e assim será e se passará nas casas alheias.
A cidade cheira a pânico. Cabe a nós perfumarmos tudo o resto. Cheirar bem. Seja em sentimentos ou em ações. 🖤
O pânico nunca dura muito, nem resiste à força das relações pessoais. E isto é a verdade do Amor. Seja qual for o Amor e a forma como se manifesta.

Não é uma justificação, é um abraço!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

...
É assim que tenho começado todos os meus textos, todas as minhas reflexões, sem palavras, sem saber o que dizer, em silêncio e calada. Tem sido complicado escrever o que o meu coração grita, por sentir sempre que algo vai ficar por dizer e que algo devia ficar por dizer.
Há fases da vida em que nos sentimos colocados à prova a cada passo que damos, a cada som que fazemos, a cada olhar que dirigimos. Há alturas em que não nos sentimos capazes do que prometemos, do que determinámos e do que estava programado.
Não quero que este seja um texto negativo, não quero transmitir tristeza, impotência ou desagrado com ele, não quero que se sinta pena ou mágoa.
Continuo a sorrir como o sol se continua a pôr, diariamente.
Quero, sim, que percebam que continuo positiva, continuo de sorriso estampado na cara, mas isso não quer dizer que esteja tudo bem. Quer apenas dizer que estou a lutar, diariamente, que continuo a caminhar, devagar ou mais rápido, continuo, quer troque de caminho de vez em quando, quer siga em linha recta. Continuo. E paro. Não paro muito. Paro quando respirar se torna difícil, paro quando as lágrimas caem, paro quando me sinto sozinha.
Nos últimos meses, parei de escrever. Este foi o percurso que precisou de uma pausa. Não sei se vou regressar já ao ritmo que levava. Senti apenas que não devia ter parado como fiz, sem aviso prévio, sem dizer para esperarem um pouco ou para, simplesmente, prosseguirem. Sendo que isto é uma das coisas que mais triste me deixa e fi-lo a vocês:
Sair do caminho de alguém sem aviso prévio, sem uma palavra de término ou de pausa, com nada e sem tudo.
Foi um ano de provas constantes, daqueles em que completamos um desafio e surgem mais quatro ou cinco sem anúncio, daqueles em que respirar fundo é quase impossível, então, andamos o ano todo a inspirar e expirar aos soluços, a marchar porque já estamos cansados de correr, a tocar ao de leve os momentos onde queríamos permanecer, a rir, a sorrir e a gargalhar com a sensação de que está quase a acabar.

A minha maior vontade?
Ir até ao topo de uma montanha e gritar. Gritar como se não houvesse amanhã, como se só existisse eu e o mundo, onde os meus berros não incomodam ninguém, mas me aliviam infinitamente. Alguma vez sentiram essa necessidade? Como se o vosso coração estivesse prestes a explodir e nem fosse preciso um megafone para fazer chegar ao outro lado do mundo.
Deixem-se abraçar, como a Lua se deixa abraçar pelo fumo

O bom de tudo é que é tanto que MAIOR PARTE é bom. É este o exercício que tenho feito, que me tem afastado de muita coisa, mas que me tem tranquilizado quando tudo parece mau: focar. Nas coisas felizes, nas pessoas boas, no Amor que me rodeia, apesar de tudo, na música que me acalma o coração, nas fotos que cantam memórias, nas estrelas que contam histórias e no sol que me aquece.

Por isso, vim aqui com intenção de deixar um abraço às pessoas que me deixavam tanto carinho diário, às pessoas que me seguiam cautelosa e silenciosamente, às pessoas que se tornaram amigas, às pessoas em geral. Precisamente por saber o que é precisar de parar, precisar de ser abraçada, nem que só mentalmente ou com palavras quentinhas, é que venho aqui abraçar-vos com a maior ternura que tenho para oferecer. E, talvez, relembrar-vos que há sempre algo bom, há sempre uma impressão positiva que fica. Não se apoquentem. Gritem. E recebam o meu abraço.

Girl, put your lipstick on!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

 Quem me conhece minimamente e lida comigo no dia-a-dia mais de perto sabe perfeitamente que nunca fui rapariga de usar maquilhagem - seja esta de que tipo for! -. Talvez por ter uma pela muito uniforme, onde surgem umas borbulhitas pequenitas de vez em quando que rapidamente desaparecem, talvez por ter uma cor de lábios que considero bonita, talvez por simplesmente não querer ter «trabalho», talvez por nunca ter aprendido a fazê-lo de uma forma bonita, simples e no ponto. De qualquer forma, sempre foi um campo de self-care que nunca despertou grande interesse em mim. 
 Felizmente, o auto-desenvolvimento não é estático e sofre mudanças, algumas melhores que outras, mas, nem é isso que está em causa. A vida é mesmo curiosa, coisas que, inicialmente, pouco nos diziam, gradualmente, vão ganhando outro ponto de vista da nossa parte. Às vezes, o simples passar dos anos faz com que comecemos a olhar para certos aspectos do quotidiano de outra forma.
 Assim sendo, foi há, mais ou menos, um ano e nove meses que comprei o meu primeiro batom, confiando, mais uma vez, na minha marca favorita de cosmética e produtos de corpo: The Body Shop. Comprei o Matte Lip Liquid Mauritius Dahlia e usei-o em eventos mais formais, em dias especiais, por mero capricho, por vezes até por casa. Foi O batom preferido durante este ano, aquele que dava o toque final e iluminava um pouco o meu rosto, super simples de aplicar e prático para transportar.
 MAS - já reza a lenda! -, faltava sempre alguma coisa neste, algum detalhe estava fora do sítio: talvez fosse o brilho, que era um brilhante acima do que esperava, possivelmente a rotina de ser sempre o mesmo ou pura inconstância minha.

 É, então, aqui que entra uma amiga minha (daquelas mesmo amigas que, quando falamos delas, as pessoas percebem instantaneamente o carinho que lhes temos) quando, durante um passeio pelo shopping, decide comprar-me um batom para, diz ela, me dar aquele último toque de confiança. Fomos a uma das lojas favoritas dela e, pouco depois de lá estarmos, saíamos com aquele que gostei mais: o Velvet Passion Matte Lipstick 332 Taupe Brown. Todo o batom é lindíssimo, a cor, a embalagem com íman que previne toda a confusão e perda das peças na carteira, a aplicação igualmente simples, tudo.
Pijama's day!
 Senti que tinha de escrever sobre ele, porque, de facto, tenho usado e abusado dele, tem sido o meu companheiro nas saídas nocturnas, em algumas horas de trabalho, nos dias da vaidade - todos precisamos destes! - e nos dias sem razão nenhuma.
 Continuo a sair mais vezes sem batom do que com ele, porém, agora, já tenho aquele batom infalível com o qual sei que me sinto bem, sem sentir que tenho os lábios a brilhar, embora brilhem de uma forma completamente diferente.

 Não são as coisas materiais que nos fazem « conquistar o Mundo». Mesmo assim, não há mal nenhum em querer fazê-lo com alguma pinta.
 Girl, put your lipstick on and go conquer the world!!!

Movie 36 | JANEIRO

sábado, 3 de fevereiro de 2018

 Tenho de começar esta publicação por dizer que foi mais complicado decidir sobre que tema escrever do que esperava, uma vez que estive de férias durante este mês e tive tempo para ver muitos filmes e, no geral, bastante bons!
 Assim, analisá-los after watching e tentar sobrepor de alguma forma a temática foi um desafio a que me propus e achei bem interessante.
 Falo, então, da lealdade e da luta incessante a que nos comprometemos assim que assumimos a amizade que temos com alguém, a ser verdadeira, claro!